Por Heli Espíndola- Comunicação/SID
Começaram ontem, na aldeia de Tekoha
Añetete, em Diamante D”Oeste, no Paraná, os debates do Encontro
dos Povos Guarani da América do Sul (Aty Guasu Ñande Reko
Resakã Yvy Rupa). Durante todo o dia de hoje, aberto apenas à
participação dos Guarani, os cerca de 800 indígenas da etnia que vivem no
Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina discutirão, entre outros pontos, a
educação, a saúde, a cultura e o meio ambiente nas aldeias. Texto completo em leia mais...
Entre as propostas a serem apresentadas estão: a criação de um fórum
permanente cultural no Mercosul; a criação de uma secretaria especial guarani
vinculada ao Mercosul; um mapeamento da etnia; a realização de seminários
culturais; a abertura da fronteira dos países do Mercosul para os guaranis e
ainda o reconhecimento e o fortalecimento do uso de ervas medicinais entre os
não índios. As propostas e reivindicações, aprovadas pelos indígenas, serão
entregues às autoridades que estarão presentes no dia 05, último dia do evento.
Fortalecimento da Cultura Guarani
O Encontro, inédito, tem como
principal objetivo criar uma nova perspectiva de intercâmbio cultural que
reconheça e fortaleça a cultura guarani. Para o secretário da Identidade e
Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Américo Córdula, a cultura
guarani sempre teve uma participação decisiva na formação do Brasil.
“Há uma influência muito forte na nossa língua, na nossa culinária e
na nossa dança vinda dos povos Guarani. É uma cultura que possui um importante
vínculo com a identidade sul-americana. Por isso, a necessidade de se começar
uma grande campanha de valorização destes povos para reverter o quadro de
preconceito existente hoje com relação aos indígenas”, explicou Córdula
presente na abertura do Encontro.
Segundo ele, a ideia da realização do Encontro dos Povos Guarani da
América do Sul surgiu, há três anos, durante o Fórum Internacional de
Integração Cultural do Mercosul. “Aqui no Brasil, este encontro começou a
ser articulado junto às aldeias nos sete estados onde estão concentrados os
indígenas desta etnia”, contou o secretário.
O cacique Adolfo Veramirim, do litoral norte de São Paulo, salienta o fato
de, pela primeira vez, a comunidade indígena Guarani estar reunida. “O
Encontro é importante para discutir as políticas voltadas para os indígenas na
América do Sul. As assembléias vão produzir debates com cada aldeia trazendo
suas propostas. A partir desse Encontro, teremos uma visão mais ampla voltada
para o povo Guarani”, comemora.
Além de Américo Córdula,
estiveram presentes na abertura do evento Jorge Samek, diretor-geral brasileiro
da Itaipu Binacional, parceira do Ministério da Cultura na realização do evento
e a prefeita de Diamante D’Oeste, Inês Gomes. O Encontro dos
Povos Guarani da América do Sul, contará amanhã com a participação dos
ministros da Cultura do Brasil, Juca Ferreira e do Paraguai, Tício Escobar.
São também parceiros do Ministério da Cultura na promoção do Encontro a
Fundação Nacional do Índio (FUNAI), as prefeituras de Diamante D’Oeste e
de Foz do Iguaçu, as Secretarias de Educação e de Cultura do Paraná e a
Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). O Instituto Empreender é o responsável
pela produção executiva do evento. O projeto tem ainda o apoio do Mercosul
Cultural.
|